Autor: John Piper


Setenta anos atrás, em dezembro de 1946, Samuel Zwemer organizou a primeira conferência missionária que eventualmente se tornou Urbana. De acordo com o historiador de Yale, Kenneth Scott Latourette, “Ninguém, por todos os séculos da missão cristã a muçulmanos, mereceu melhor do que o Dr. Zwemer a designação de apóstolo ao islã”.

J. Christy Wilson, biografo de Zwemer, faz a surpreendente alegação que Zwemer, juntamente com Robert Speer (1867 – 1947) do Student Volunteer Movement [Movimento estudantil voluntário], “provavelmente influenciou mais jovens, tanto homens quando mulheres, para adentrar no serviço missionário do que quaisquer dois indivíduos em toda história do cristianismo”.

JESUS É DIGNO

Zwemer nasceu em Vriesland, Michigan, em 12 de abril de 1867, e cresceu na Igreja Reformada Holandesa. Ele foi para Hope College na Holanda, Michigan, e New Brunswick Seminary em Nova Jersey, o seminário vigente mais antigo independente na América.

Durante o seminário, ele e seu amigo Cantine resolveram ir ao mundo muçulmano. Eles abordaram vários órgãos missionários que pensaram que a aventura era imprudente. A resposta de Zwemer foi “Se Deus te chama e nenhum órgão o envia, faça um buraco no órgão e vá de qualquer forma”. Então, eles encontraram igrejas que confirmaram seu chamado e acreditaram na missão.

Em Junho de 1890, na idade de 23 anos, deixou a América como um missionário aos muçulmanos. Depois de seis anos como um missionário solteiro, ele se casou com Amy Wilkes, uma enfermeira missionária que tinha vido da Austrália com a Church Missionary Society [Sociedade Missionária da Igreja]. Eles foram casados por quarenta anos até a morte dela em 25 de janeiro de 1937, quando Zwemer tinha 69.

Eles tiveram duas filhas, Ruth e Katharina, ambas morreram uma semana depois da outra em Bahrein em 1904. Ruth tinha quatro anos e Katharina sete. Nas suas lápides está escrito, “Digno é o cordeiro que foi morto para receber as riquezas”.

Cinquenta anos depois, Zwemer olharia para trás para aqueles anos de luta e diria “Mas a absoluta alegria de tudo volta...Quão alegremente eu faria tido novamente em algum porto marítimo desocupado da Arábia Ocidental”.

A VIDA COMEÇA AOS SETENTA

Em 1929, Zwemer aceitou um cargo de professor no Seminário Teológico de Pricenton, e foi colocado na cátedra de história da religião e missões cristãs em outubro de 1930. Ele serviu ali até sua aposentadoria na idade de 71 em 1939.

“Aposentadoria” é uma palavra errada. Ele viveria outros catorze anos. Até que se tornasse muito fraco, ele nunca parou de viajar e advogar pela causa das missões mundiais. Ele morreu em 2 de abril de 1952, dez dias antes do seu aniversário de 85 anos. Zwemer tinha sinalizado sua atitude em direção a aposentadoria por uma mensagem que deu ao Clube Warfield de Princeton no seu aniversário de setenta anos. Foi chamada de “A vida começa aos setenta”. E deu sete razões para isso:

1. Deveríamos ter um diploma da escola da experiência por aquele tempo.
2. Estamos próximos do rio que não tem ponte.
3. Passamos do nosso tempo de aprendizado na escola da vida.
4. Aos 70, podemos olhar retrospectivamente ao longe e prospectivamente ao longe.
5. Nesse tempo, deveríamos saber que a vida consiste não na abundância das coisas que possuímos.
6. A responsabilidade de testemunhar Deus para próxima geração.
7. Aos 70, o cristão deve redimir o tempo e a vida com mais seriedade mortal.

Até mesmo idoso, Zwemer era um homem de energia. De acordo com W.H.T Gairdner, que trabalhou com Zwemer no Cairo, ele foi “uma máquina a vapor em Breeches”. Um exemplo da sua energia e paz é que em 1914, quando voltou aos Estados Unidos, ele deu 151 discursos em somente 113 dias.

HOMEM DE UMA MENSAGEM

Porém sua energia não foi dispersada. Foi focada. O colega de Zwemer, James G. Hunt, escreveu, “pode-se dizer dele que era o homem de uma ideia. Enquanto seus interesses e conhecimento eram amplos, nunca conversei com ele 10 minutos que a conversa não guinasse para o islã”.

Seu zelo nessa ideia singular foi combinado com sua coragem. Uma vez em 1912, em Al-Azhar University no Cairo, a mais importante escola teológica do islã, ele entregou literatura cristã para os estudantes e foi denunciado pelos oficiais. O governo britânico ordenou que ele deixasse o país. Então, ele foi para o Chipre por duas semanas e retornou. Os oficiais não pressionaram mais o assunto. Um estudante veio à fé.

A coragem e zelo de Zwemer foram derramados por seus quase cinquenta livros. Explicando sua paixão por escrevre, ele disse, “Nenhuma agência pode penetrar o islã tão profundamente, suportar tão persistentemente, testemunhar tão ousadamente e influenciar tão irresistivelmente como a página impressa”.

AGORA É A HORA

O seu próprio livro favorito dentre todos era The glory of the cross [A glória da cruz], publicado em 1928. Também foi seu best-seller e ainda é impresso hoje. De forma não surpreendente, portanto, quando pediram que Zwemer fosse o principal orador na primeira conferência de missões da Urbana em 1946 (antes de se chamar “Urbana”), ele escolheu o tema “A cruz na comissão de Cristo”. Isso foi sete anos depois da sua “aposentadoria” e seis antes de sua morte.

A 2ª Guerra Mundial tinha acabado de terminar no ano passado. O mundo estava cambaleando nas incertezas das armas atômicas e como os novos antagônicos superpoderes procederiam daí para frente. Zwemer começou sua mensagem,

Toda a cristandade e os melhores pensadores do mundo não cristão encaram o ano novo com profundos presságios e uma consciência de crise. Pode ser duvidado se já houve um tempo quando a igreja cristã foi assolada por tantos e tão poderosos inimigos...Por todo lugar lemos sobre perseguição, portas fechadas, oposição ferrenha, paciência numa oração não respondida, ou a espada flamejante dos martírios. A igreja cristã está sob fogo em um mundo hostil – um mundo de desilusão e desesperança.

Isso foi setenta anos atrás. Isso nos lembra que nunca houve um tempo ideal para um grande movimento missionário. O tempo é agora. Nesse contexto, Zwemer falou que a única mensagem que ele acreditava que poderia levar a melhor em tal mundo: a mensagem da cruz.

ESPADA DO ISLÃ, CRUZ DE CRISTO

Ele escrevera em seu livro favorito, a cruz é o centro do universo e da história”. Sem essa mensagem, não haveria salvação em lugar algum no mundo. Tinha que ser falado. Tanto quando ele acreditava na oração, ele insistiu que oração não é a mensagem da cruz. Não é evangelismo. Não irá por si mesma cumprir a missão de Jesus. “Oramos por nossos amigos e parentes. Porém, nós os evangelismos? É tão mais fácil falar sobre eles para Cristo do que falar de Cristo para eles”.

A mensagem da cruz foi um contraste radical às ameaças militares do dia A espada só pode produzir brutalidade; a cruz, ternura. A espada destrói a vida humana; a cruz dá valor impagável. A espada mata a consciência; a cruz a desperta. A espada acaba em ódio; a cruz em amor. Aquele que toma a espada perece por ela; aquele que toma a cruz herda a vida eterna.

Porém, ele insistiu com os estudantes reunidos em Toronto que a cruz não era somente uma mensagem; ela era um modo de vida. E esse modo de vida era essencial nesse momento crucial em missões:

As histórias de vida de David Livingstone, Henry Martyn, James Gilmour, Mary Slessor e todos esses grandes missionários pioneiros que suportaram as marcas dos pregos...Somente aqueles que sofreram, que têm ferro em seu sangue, podem servir uma geração que tem visto muito “sangue, suor e lágrimas”. Nem o Japão, nem a China hoje ouvirão um evangelho simplista falado por aqueles que nunca tomaram uma cruz depois de Jesus. Estamos vivendo em uma era de novos martírios...Somente aqueles que amam a verdade mais que a vida são realmente soldados da cruz.

Certamente, isso deve ser dito em nossos dias. A maioria das pessoas que ainda estão para serem alcançadas não têm interesse em uma cultura ocidental degenerada. Mas elas podem responder à mensagem da glória da cruz, falada por verdadeiros soldados da cruz.

A CRUZ?

Compareci ao Urbana 67, que foi o centésimo aniversário de nascimento de Samuel Zwemer. William Miller ficou de pé para dar tributos a esse gigante de coragem e de labuta missionárias. Ele disse “a voz suplicante de Dr. Zwemer abalou multidões de cristãos em muitas terras, os inspirando a trabalhar e orar pelos muçulmanos no mundo”.

Escrevi esse artigo com a oração que Zwemer continuará a ter esse efeito. É por isso que estou comprometido – no começo dos meus 70 anos – com a conferência missionária da cruz para estudantes. Em nossa conferência em dezembro, centenas de jovens se comprometeram a perseguir a liderança de Deus aos povos não alcançados do mundo convidando-os para irem à igreja em busca de orientação e ajuda. Uso uma pulseira preta em meu braço para me lembrar de orar por eles. Você se juntaria a mim? E oraria para que Deus levantasse milhares em nossos dias, ao redor do mundo, para inundar as nações com a luz do evangelho.

Ore para que 50 anos a partir de agora quando esses milhares olharem para trás para uma vida de “sangue, suor e lágrimas” de missionários, eles estarão aptos para dizer com Samuel Zwemer, “a absoluta alegria de tudo volta...Quão alegremente eu faria tido novamente”.

pZwemer disse sobre o apóstolo Paulo, “sua filosofia de vida estava pegando fogo com uma decisão irrevogável”. Grandes decisões de vida acontecem quando estudantes se juntam sob a cruz. Isso está acontecendo em algum lugar todo dia. Ore para que esses comprometimentos sejam “irrevogáveis”.


http://www.desiringgod.org/articles/open-arms-to-the-muslim-world